top of page
logo IBAP.jpg

Apresentação

 

A Rede GP-ELIDA foi idealizada no 1º semestre de 2017 a partir de uma proposta de exploração das múltiplas perspectivas ecológicas e ambientais oferecidas pela leitura da obra de Italo Calvino.

Sua finalidade é de promover o debate ecocrítico sob uma perspectiva interdisciplinar (Letras, Direito e outras ciências com afinidade com a temática ecológica - Biologia, Química, Geografia, Antropologia,  Jornalismo Ambiental, Arquitetura e Urbanismo etc.) no contexto do Antropoceno.

Seus integrantes são professores e pesquisadores latino-americanos e participantes dos I e II Diálogos Interdisciplinares promovidos pelo Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, pela Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil e pelo Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP nos anos de 2017 e 2018. 

O diferencial da Ecocrítica com relação a  outras correntes críticas é essencialmente a reflexão sobre o Planeta Terra nas narrativas literárias.

Entendemos que esta forma de reflexão se faz urgente na era atual, em que os EUA rompem acordos de redução dos gases de efeito estufa, a China expande a economia de forma insustentável e, por conta do agravamento das mudanças climáticas, cresce o número de refugiados ambientais, aprofundam-se as desigualdades econômicas, radicaliza-se a luta popular pelo acesso à água, num embate com as empresas que pretendem privatizá-la e ascendem movimentos antiecológicos, misóginos, homofóbicos, racistas e xenofóbicos.

GARRARD (2004), um dos autores mais consagrados na área, afirma que a Ecocrítica é um modo marcadamente político de análise. A análise cultural ecocrítica alicerça-se em uma agenda moral e política “verdes” e não pode dissociar-se da Filosofia e da Teoria Política. Ela incorpora em sua metodologia estudos que a antecederam, tais como o ecofeminismo, a ecologia social, o ambientalismo e, acrescentamos nós, o movimento de acesso à justiça ambiental, os estudos sobre mudanças climáticas etc.  No âmbito da Ecocrítica, é natural que se formem correntes específicas, cada qual retratando uma visão filosófica própria - pós-colonialismo e ecofeminismo, conservacionismo ou preservacionismo, biorregionalismo, socioambientalismo ou a deep ecology

Parafraseando GLOTFELTY (1996), o objetivo desta Rede é estudar a relação entre os discursos ambientais em seus mais diversos gêneros (poesia, teatro, prosa ficcional, ensaio), sempre sob uma perspectiva interdisciplinar. Se, nos estudos de gênero, o texto literário é estudado de uma perspectiva de consciência de gênero; ou, nos estudos marxistas, o é sob a ótica dos modos de produção econômica e da luta de classe, o foco na abordagem ecocrítica é a relação entre biodiversidade e sadia qualidade de vida, direitos humanos e capitalismo, democracia e limites do crescimento econômico, respeito à vida dos animais e das plantas e salubridade do ar, da água e do solo.

Busca-se responder à indagação sobre se todas estas questões estão presentes na literatura imaginativa contemporânea e, ainda, se nossos escritores associam questões existenciais e doenças psicossociais contemporâneas ao divórcio entre o ser humano e natureza; ou então as pequenas e grandes tragédias quotidianas com a destruição do suporte ecológico à vida. A indagação é pertinente pois, como observa GLOTFELTY (1996), "...you would quickly discern that race, class and gender were the hot topics of the late twentieth century, but you would never know that the earth's life support systems were under stress. Indeed, you might never know that there was an earth at all".
Aproximar a Ecocrítica Literária e a Ecolinguística do Direito Ambiental / Direito Ecológico, por outro lado, é também uma forma de possibilitar que o Direito Ambiental dialogue com cosmogonias inteiramente diversas da ideologia que permeia a Política Ambiental. Nesse sentido, além de autores com um viés marcadamente ecológico, como Italo Calvino, Thomas Hardy, Rachel Carson ou Ignácio de Loyola Brandão, busca-se também explorar as interfaces entre a produção ficcional de José de Alencar, José María Arguedas e Manuel Scorza com a nova Constituição do Equador; de Mary Shelley, Augusto dos Anjos e Phillip K. Dick com o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança; de Graciliano Ramos, Margareth Atwood e Ian McEwan com Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas. 

Os aportes de colaborações inspiradas nestas variadas correntes de pensamento são bem vindos.

Adriana Iozzi Klein

Guilherme José Purvin de Figueiredo

bottom of page